Uma empresa de serviços com 800 funcionários nos pediu para "organizar as licenças do Power Automate". O inventário encontrou 1.900 fluxos. Quinze usavam SQL Server ou HTTP e rodavam no nome de três pessoas com licença de avaliação vencida. O financeiro tinha comprado 12 licenças Premium para gente que só usava SharePoint e Outlook. E dois fluxos eram desligados toda semana sem que ninguém soubesse por quê: limite de requisições.
A confusão tem causa. Os nomes mudaram nos últimos anos ("per user" virou Premium, "per flow" virou Process, o add-on de RPA hospedado virou Hosted Process), e a regra de quem precisa da licença depende do tipo de gatilho do fluxo. Este post coloca cada peça no lugar, com os preços de lista de novembro de 2026.
O que a licença do Microsoft 365 já inclui
As licenças do Microsoft 365 e do Office 365 (E1, E3, E5, F3, Business Basic, Standard e Premium) trazem o Power Automate para Microsoft 365: fluxos de nuvem com conectores standard, para automatizar o que já está no Microsoft 365. SharePoint, OneDrive, Outlook, Teams, Forms, Planner, Excel Online, Office 365 Users e o conector de Aprovações são standard. Isso cobre aprovações, avisos, cópia de arquivos, lembretes e a maior parte das automações de equipe. Um fluxo de aprovação com cartão no Teams roda inteiro nessa licença.
Ficam de fora os conectores premium, os conectores personalizados, os fluxos de desktop (RPA) e os Managed Environments. No desktop há uma exceção pequena: o Power Automate para desktop vem no Windows 11 e permite criar e rodar fluxos attended no ambiente padrão, sem compartilhar e sem chamar da nuvem. Serve para automação pessoal.
Premium, Process e Hosted Process lado a lado
| Incluído no Microsoft 365 | Premium (por usuário) | Process (por fluxo ou bot) | Hosted Process (por bot) | |
|---|---|---|---|---|
| Preço em novembro de 2026 | Sem custo extra | US$ 15 por usuário/mês (R$ 85,90 na tabela em reais) | US$ 150 por bot/mês (R$ 858,90) | US$ 215 por bot/mês (R$ 1.231) |
| Conectores | Só standard | Standard, premium e personalizados | Standard, premium e personalizados | Igual ao Process |
| RPA attended (robô com a pessoa na máquina) | Só no Windows 11, ambiente padrão, sem compartilhar | Um bot attended por usuário | Não incluído; quem dispara precisa de Premium | Não incluído |
| RPA unattended (robô sozinho) | Um bot em uma máquina sua | Um bot em máquina hospedada pela Microsoft | ||
| Requisições por 24 horas | 6.000 por usuário | 40.000 por usuário | 250.000 por licença; empilha até 10 em um fluxo | 250.000 por licença |
| Dataverse que soma ao tenant | 250 MB de banco e 2 GB de arquivo por licença | 50 MB e 200 MB | 50 MB e 200 MB | |
| Para quem | Automação pessoal e de equipe com dados do Microsoft 365 | Makers, desenvolvedores de RPA e quem dispara fluxo premium instantâneo | Processo central que muita gente dispara ou que roda sozinho | RPA sem servidor próprio |
A Premium também inclui process mining e task mining; um add-on de US$ 5.000 por tenant/mês acrescenta 100 GB de dados para quem minera processos em escala. Esse add-on raramente entra na primeira conta.
Quem precisa da licença: a regra do gatilho
A conta muda com uma pergunta: em nome de quem o fluxo roda?
- Fluxo automatizado (quando um item é criado, quando chega um e-mail) ou agendado: roda no contexto do dono. Se usa conector premium, só o dono precisa de Premium. Quem cria o item na lista não precisa de nada além do Microsoft 365.
- Fluxo instantâneo (botão, chamado pelo Power Apps, "executar como usuário" no Dataverse): roda no contexto de quem dispara. Se usa conector premium, cada pessoa que dispara precisa de Premium, ou o fluxo recebe uma licença Process.
- Fluxo com Process: usa a licença dele, com 250.000 requisições por dia, seja quem for o dono ou quem dispara. Precisa estar em uma solução, e a licença vale para um ambiente. Um grupo de fluxos divide uma Process entre até 25 fluxos.
- Quem só responde a uma aprovação nunca precisa de licença Premium.
Conta de serviço compartilhada com uma única Premium para rodar fluxos de muita gente é multiplexação, e a documentação diz que não está em conformidade. O caminho para fluxo corporativo é a Process, de preferência com um principal de serviço do Microsoft Entra como dono.
Exemplo de conta: 30 makers e 4 fluxos centrais
Na empresa de 800 pessoas, o desenho final ficou assim:
- 30 makers que constroem fluxos com SQL Server, HTTP e conectores personalizados: 30 Premium, US$ 450 por mês (R$ 2.577 na tabela em reais).
- 4 fluxos centrais (integração com o ERP, admissão de RH, conciliação e chamados), disparados por centenas de pessoas e rodando de madrugada: 4 Process, US$ 600 por mês (R$ 3.435,60).
- Os outros 1.800 fluxos usavam só conectores standard e ficaram no Microsoft 365, sem custo.
Total: US$ 1.050 por mês. Dar Premium às 800 pessoas que disparam os fluxos centrais custaria US$ 12.000 por mês, e era a proposta que a empresa tinha recebido.
Requisições: o limite que desliga fluxo
Cada gatilho e cada ação executada conta uma requisição (o centro de administração chama de Power Platform requests). Um fluxo com gatilho e uma ação gasta duas por execução. Ação dentro de laço conta a cada volta: um Aplicar a cada com duas ações e 200 itens gasta 401. Ação que falhou conta; ação ignorada, não. Ações dentro de um fluxo de desktop não contam, só a chamada feita pela nuvem.
Os limites por 24 horas são 6.000 por usuário com Microsoft 365, 40.000 com Premium e 250.000 por Process. Em fluxo automatizado o limite é o do dono; em instantâneo, o de quem dispara. Limites de licenças diferentes não se somam: quem tem Premium e Dynamics 365 tem 40.000 em cada contexto, e não 80.000. O consumo de cada fluxo aparece em Análise, aba Ações, na página do fluxo.
Pay-as-you-go: pagar por execução
Com um ambiente ligado a uma assinatura do Azure, dá para pagar por execução em vez de comprar licença. Os medidores do Power Automate estão em preview em novembro de 2026.
| O que roda | Preço em novembro de 2026 | Observação |
|---|---|---|
| Fluxo de nuvem premium ou fluxo de desktop attended | US$ 0,60 por execução | Fluxo só com conectores standard não é cobrado |
| Fluxo de desktop unattended ou em máquina hospedada | US$ 3,00 por execução | Máquina hospedada ainda em preview, com preço sujeito a mudança |
| Execução de quem tem Premium | Não entra no medidor | Enquanto o fluxo usa o que a Premium cobre |
| Estouro de requisições | Não cobrado | O medidor não existe ainda; o estouro é reportado e não aumenta o limite |
| Fluxo com licença Process no mesmo ambiente | Cobrado por execução | Licenças Process são ignoradas em ambiente com pay-as-you-go |
A regra prática da própria Microsoft: pay-as-you-go para fluxo sazonal ou com poucas execuções e muita gente disparando; licença para fluxo que roda o dia inteiro. Um fluxo instantâneo premium com 10 usuários e 50 execuções por mês custa US$ 30 no medidor e US$ 150 em Premium para os 10. Um fluxo agendado com 3.000 execuções por mês custa US$ 1.800 no medidor, US$ 15 na Premium do dono ou US$ 150 em uma Process.
Faça
- Inventariar os fluxos e classificar cada um: só standard, premium automatizado, premium instantâneo, RPA.
- Dar Premium a quem constrói e a quem dispara fluxo premium instantâneo. Dar Process ao fluxo central, em solução, com dono que não sai.
- Olhar o consumo de requisições em Análise antes de comprar. A maioria dos fluxos gasta uma fração dos 6.000.
- Usar pay-as-you-go para fluxo sazonal (fechamento, campanha), em ambiente separado dos fluxos com Process.
- Revisar as licenças a cada trimestre. Premium parada em quem só usa SharePoint é o desperdício mais comum.
Evite
- Comprar Premium para a empresa inteira porque um fluxo usa SQL Server. Uma Process resolve o fluxo para todo mundo.
- Rodar fluxo corporativo em conta de serviço com uma única Premium. É multiplexação.
- Ligar pay-as-you-go no ambiente que tem fluxos com Process. As licenças passam a ser ignoradas ali.
- Confiar no período de transição dos limites. Ele acaba, e o fluxo que processa 100 mil itens por dia para.
- Esquecer que Managed Environments exige licença standalone de quem usa o ambiente. A fiscalização começa em fevereiro de 2027.
O próximo passo é um inventário de uma semana: liste os fluxos por tipo de gatilho e por conector, marque os que usam premium e anote o consumo de requisições de cada um. Com isso dá para decidir quantas Premium e quantas Process comprar, e o que fica no Microsoft 365. Para o lado dos apps, a lógica parecida está em licenças do Power Apps explicadas. Para decidir se vale montar um robô de desktop, e com qual licença, leia quando RPA faz sentido. Se preferir que a gente faça o inventário, a consultoria em Power Automate começa por ele.
Fontes
- Microsoft: preços do Power Automate (Premium, Process, Hosted Process)
- Microsoft Brasil: preços do Power Automate em reais
- Microsoft Learn: tipos de licença do Power Automate
- Microsoft Learn: FAQ de licenciamento (quem precisa de licença, multiplexação, dono que sai)
- Microsoft Learn: o que cada licença inclui (Microsoft 365, Windows, Free)
- Microsoft Learn: limites e alocações de requisições
- Microsoft Learn: medidores de pay-as-you-go
- Microsoft Learn: licenciamento de Managed Environments
- Microsoft: guia de licenciamento do Power Platform (PDF, novembro de 2026)
Preços, nomes de plano e limites mudam. Confira sempre a tabela oficial da Microsoft antes de decidir.
Perguntas frequentes
O que mais perguntam sobre este assunto
- Qual a diferença entre Premium e Process?
- Premium é licença de pessoa: US$ 15 por usuário/mês em novembro de 2026, com conectores premium, RPA attended, process mining e 40.000 requisições por dia. Process é licença de capacidade: US$ 150 por mês, atribuída a um fluxo em solução ou a uma máquina, com 250.000 requisições por dia e sem exigir licença de quem dispara. Maker e desenvolvedor de RPA precisam de Premium; processo central que muita gente dispara, ou que roda sozinho, pede Process.
- O que conta como requisição?
- Cada gatilho e cada ação executada, inclusive ações internas como Compor, Inicializar variável e Escopo. Ações dentro de laço contam a cada repetição, e ações que falharam também contam. Ações dentro de um fluxo de desktop não contam, só a chamada feita pela nuvem. O limite é por 24 horas: 6.000 por usuário do Microsoft 365, 40.000 com Premium e 250.000 por licença Process.
- Fluxo com HTTP precisa de licença premium?
- Sim. O conector HTTP, o gatilho de solicitação HTTP e os conectores personalizados são premium. Em fluxo automatizado ou agendado, basta o dono ter Premium; em fluxo instantâneo, cada pessoa que dispara precisa, ou o fluxo recebe uma licença Process. A alternativa sem custo é trocar o HTTP pelo conector standard do serviço, quando ele existe.
- Quanto custa um robô que roda sozinho de madrugada?
- Um fluxo de desktop unattended exige uma licença Process (US$ 150 por bot/mês, R$ 858,90 na tabela em reais) alocada à máquina, mais uma Premium para quem registra a máquina e constrói o fluxo. Se a máquina for hospedada pela Microsoft, a licença é a Hosted Process, de US$ 215 por bot/mês. Em pay-as-you-go, cada execução unattended custa US$ 3,00, o que só compensa para poucas execuções por mês.


