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Licenças do Power Apps explicadas: Microsoft 365, Premium, por app e pay-as-you-go

O que o Microsoft 365 já cobre no Power Apps, quando a Premium de US$ 20 entra, como funciona o pay-as-you-go por app e a conta de três cenários reais.

Erick MacedoConsultor principal, Power Apps e Power Automate6 min de leitura

Uma distribuidora com 800 funcionários recebeu três pedidos de app no mesmo trimestre. A manutenção queria trocar a planilha de pedido de peças. O comercial queria consultar o estoque do ERP pelo celular. A diretoria queria um sistema de gestão de contratos para cinco áreas. A pergunta da TI foi a mesma nos três casos: "precisa de licença?". A resposta foi diferente em cada um, e é isso que este post explica.

O Power Apps tem três formas de licenciar o uso em novembro de 2026: o direito que já vem no Microsoft 365, a licença Power Apps Premium por usuário e o pay-as-you-go por app, cobrado no Azure. O que define qual delas você precisa é o conector que o app usa e quantas pessoas abrem o app. Quem construiu entra na mesma conta de quem usa.

O que já vem com o Microsoft 365

Os planos do Microsoft 365 (Business Basic, Standard e Premium, E3, E5, F3 e outros) incluem o que a documentação chama de Power Apps for Microsoft 365, e o guia de licenciamento chama de Power Apps Basic. O direito é limitado, mas cobre muito: criar e usar apps que leem e gravam em conectores standard, como SharePoint, Excel no OneDrive, Outlook, Teams, Planner e Forms. É com isso que a maioria das áreas troca a planilha compartilhada por um app, como mostramos em quando trocar a planilha e o Forms por um app.

O que fica de fora: Dataverse como base do app, conectores premium (SQL Server, HTTP, conectores personalizados e a maior parte dos de terceiros) e agentes do Copilot Studio dentro do app. A exceção era o Dataverse for Teams, que está sendo descontinuado (a criação de ambientes novos termina em 15/11/2026). Cada usuário tem 6.000 requisições de API por 24 horas, o que basta para um app de equipe e começa a apertar em app com muitas chamadas em segundo plano.

Power Apps Premium: por usuário, sem limite de apps

A Power Apps Premium custa US$ 20 por usuário/mês em novembro de 2026, em assinatura anual. Na tabela brasileira são R$ 114,50, sem impostos. Empresas que compram 2.000 licenças ou mais pagam US$ 12 (R$ 68,70). Com ela, a pessoa usa quantos apps quiser, com qualquer conector, com Dataverse como base e com 40.000 requisições por 24 horas.

A licença também traz capacidade de Dataverse para o tenant: cada Premium soma 250 MB de banco de dados e 2 GB de arquivos ao total da empresa. A capacidade inicial, concedida uma vez com a primeira assinatura, varia conforme o produto comprado, e a própria documentação traz valores diferentes; confira na página de capacidade antes de dimensionar. Quando o banco estoura, o GB adicional custa US$ 40 por mês (R$ 229 na tabela em reais).

Um ponto que costuma pegar a TI de surpresa: Managed Environments, o conjunto de controles de governança que recomendamos para produção, exige que os usuários do ambiente tenham licença standalone, como a Premium ou o medidor de pay-as-you-go. O direito do Microsoft 365 não basta. A Microsoft avisa desde junho de 2026 e passa a bloquear o acesso de quem não tem licença em fevereiro de 2027. Os detalhes estão em governança na Power Platform.

Pay-as-you-go: paga quem abriu o app no mês

O pay-as-you-go liga um ambiente da Power Platform a uma assinatura do Azure por meio de um plano de cobrança. A partir daí, cada app com conector premium nesse ambiente gera uma cobrança de US$ 10 por usuário ativo por app por mês. Usuário ativo é quem abriu o app naquele mês. Quem já tem Premium não entra no medidor. A fatura chega no Azure, junto com os demais serviços.

É o modelo certo para três situações: piloto de um app premium antes de decidir a compra, app usado por pouca gente de forma irregular (um aprovador que entra duas vezes por mês) e empresa que quer começar sem contrato anual. A regra de bolso: enquanto cada pessoa usa um app premium, o medidor custa metade da Premium. Com dois apps, empata. Com três, a Premium sai mais barata.

As três opções lado a lado

Incluído no Microsoft 365Power Apps PremiumPay-as-you-go por app
Preço em novembro de 2026Nenhum além da licença do Microsoft 365US$ 20 por usuário/mês, anual (R$ 114,50 sem impostos); US$ 12 a partir de 2.000 licençasUS$ 10 por usuário ativo por app por mês, na assinatura do Azure
Conectores standard (SharePoint, Excel, Outlook, Teams)
Conectores premium (Dataverse, SQL Server, HTTP, personalizados)
Dataverse como base do app
Apps standalone, com dados de fora do Microsoft 365
Requisições de API por usuário a cada 24 h6.00040.000Confira na tabela oficial de limites
Managed Environments
Quando usarApp de equipe sobre lista, planilha, Outlook e TeamsMuita gente ou vários apps premium por pessoa; Dataverse como base corporativaPiloto, poucos apps premium ou uso irregular; sem contrato anual
Preços de lista em novembro de 2026, sem impostos. Em 01/01/2027 a Premium passa a US$ 22. Confira a página oficial antes de fechar a compra.

A conta nos três pedidos da distribuidora

App de pedido de peças para 40 pessoas da manutenção. Lista do SharePoint como base, aprovação pelo Teams, aviso por Outlook. Só conectores standard. Custo adicional de licença: zero. É o cenário mais comum e o melhor lugar para começar.

Consulta de estoque para 60 vendedores, lendo o SQL Server do ERP. SQL Server é conector premium, então os 60 precisam de licença. Com Premium: 60 vezes US$ 20, US$ 1.200 por mês. Com pay-as-you-go: no primeiro mês, 38 vendedores abriram o app, US$ 380. Mesmo com os 60 ativos, US$ 600. A distribuidora ficou no medidor e colocou um alerta de orçamento no Azure. Se um segundo app premium aparecer para os mesmos vendedores, a conta é refeita.

Gestão de contratos no Dataverse para 300 pessoas de cinco áreas. Dataverse exige Premium ou medidor. Com 300 pessoas e outros apps previstos na mesma base, a Premium é a escolha: 300 vezes US$ 20 são US$ 6.000 por mês. Na tabela em reais, 300 vezes R$ 114,50 dão R$ 34.350 por mês, R$ 412.200 por ano, sem impostos. Na renovação depois de 01/01/2027 o valor passa a US$ 22. Em troca, as 300 licenças somam cerca de 75 GB de banco ao Dataverse do tenant e liberam essas pessoas para qualquer outro app premium sem custo extra.

Como comprar sem errar

Faça

  • Levantar quais conectores cada app usa antes de pedir orçamento. O centro de administração da Power Platform mostra os apps com conector premium.
  • Começar apps premium novos no pay-as-you-go e migrar para Premium quando a pessoa passar a usar dois ou mais.
  • Comprar Premium por função, para quem vai usar Dataverse em vários apps, e manter o resto no Microsoft 365.
  • Colocar alerta de orçamento na assinatura do Azure antes de ligar o medidor.
  • Fechar a renovação antes de 01/01/2027 se a compra já está decidida. O preço atual vale até o fim do prazo.

Evite

  • Comprar Premium para a empresa inteira por causa de um app. Licencie quem abre o app.
  • Usar conector premium em app de equipe que roda bem com SharePoint. Um conector premium no app muda a licença de todos os usuários dele.
  • Contar com a licença por app de US$ 5. A venda para novos clientes terminou em 02/01/2026.
  • Ligar Managed Environments no ambiente padrão. A partir de fevereiro de 2027, quem não tiver licença standalone deixa de abrir os apps dali.
  • Esquecer a capacidade do Dataverse na conta. O GB extra de banco custa US$ 40 por mês.

O próximo passo prático é um inventário de um dia: no centro de administração da Power Platform, liste os apps do tenant e marque os que usam conector premium e quantas pessoas os abriram nos últimos 30 dias. Com essa lista, a decisão entre medidor e Premium vira aritmética. Se a dúvida é sobre a base do próximo app, SharePoint ou Dataverse compara as duas opções antes de qualquer licença entrar na conta.

Fontes

Preços, nomes de plano e limites mudam. Confira sempre a tabela oficial da Microsoft antes de decidir.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre este assunto

Posso usar Power Apps de graça com o Microsoft 365?
Sim, dentro de um limite. Os planos do Microsoft 365 incluem o direito de criar e usar apps com conectores standard, como SharePoint, Excel, Outlook, Teams, Planner e Forms, com 6.000 requisições por usuário a cada 24 horas. Fica de fora o que exige conector premium, Dataverse como base ou Managed Environments. A documentação chama esse direito de Power Apps for Microsoft 365.
O que é conector premium no Power Apps?
Conector é a peça que liga o app a uma fonte de dados. Os standard (SharePoint, Outlook, Teams, OneDrive, Excel, Planner, Forms) vêm no Microsoft 365. Os premium, marcados com um losango no editor, incluem Dataverse, SQL Server, HTTP, conectores personalizados e a maior parte dos de terceiros, como Salesforce e SAP. Um único conector premium no app exige Power Apps Premium ou pay-as-you-go para todos os usuários dele. A lista oficial muda todo mês e está nas fontes.
Quando o pay-as-you-go do Power Apps compensa?
Quando cada pessoa usa um só app premium, quando o uso é irregular ou quando você está em piloto. O medidor custa US$ 10 por usuário ativo por app por mês em novembro de 2026, contra US$ 20 da Premium para apps ilimitados. Com dois apps premium por pessoa as duas opções empatam; a partir do terceiro, a Premium é mais barata. O medidor exige uma assinatura do Azure e um plano de cobrança ligado ao ambiente.
Preciso de licença para quem só usa o app, sem construir nada?
Sim. A licença do Power Apps é por usuário do app, e quem constrói entra na mesma regra. Se o app usa só conectores standard, a licença do Microsoft 365 de cada usuário basta. Se usa Dataverse ou outro conector premium, cada pessoa que abre o app precisa de Premium ou entra no medidor de pay-as-you-go.

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