Power AppsPara gestores

SharePoint ou Dataverse: como escolher a base do seu app

Lista do SharePoint vem no Microsoft 365; Dataverse exige Premium. Compare licença, volume, segurança e delegação e saiba quando e como migrar da lista.

Marcos MoraisEspecialista em Power Platform6 min de leitura

Uma metalúrgica com 600 funcionários construiu dois apps no mesmo semestre, com o mesmo time. O primeiro controla pedidos de EPI: 30 pessoas pedem, um supervisor aprova, o almoxarifado entrega. O segundo gerencia ordens de manutenção: 120 pessoas entre técnicos, planejadores e supervisores, com ativos, peças, técnicos e histórico de cada intervenção. O primeiro nasceu em uma lista do SharePoint. O segundo, em quatro tabelas do Dataverse. As duas escolhas estavam certas, e os motivos são o assunto deste post.

A pergunta aparece em todo projeto de Power Apps e costuma ser respondida pelo custo: lista vem no Microsoft 365, Dataverse exige licença Premium. O custo importa e entra na conta mais adiante. O que decide, antes dele, é o formato do processo.

O que cada um é

Uma lista do SharePoint é uma tabela dentro de um site: colunas com tipo (texto, data, escolha, pessoa, pesquisa para outra lista), histórico de versões por item, permissões herdadas do site e anexos. Ela foi feita para colaboração e serve bem como base de um app de equipe. Qualquer pessoa com Microsoft 365 cria uma em um minuto.

O Dataverse é o banco de dados da Power Platform. Vive em um ambiente, tem tabelas com relações (um pedido tem muitos itens, um item pertence a um pedido), papéis de segurança que definem quem lê e edita cada linha, auditoria por campo, regras de negócio, colunas de fórmula e empacotamento em soluções para levar de desenvolvimento para produção. É a base do Dynamics 365 e dos agentes do Copilot Studio.

Lista do SharePointApp de EPI30 pessoasLista Pedidos EPIuma entidade, 9 colunasDataverseApp de manutenção120 pessoasOrdem de manutençãoAtivoPeçasTécnico
uma linha por pedidorelações com integridade
Os dois apps da metalúrgica. O de EPI tem uma entidade e cabe em uma lista. O de manutenção tem quatro tabelas que se relacionam, e isso pede Dataverse.

Lado a lado

Lista do SharePointDataverse
LicençaIncluída no Microsoft 365Power Apps Premium ou pay-as-you-go
Custo em novembro de 2026Nenhum adicionalUS$ 20 por usuário/mês (R$ 114,50) ou US$ 10 por usuário ativo por app
RelacionamentosColuna de pesquisa simples, sem integridadeRelações 1:N e N:N, com integridade e exclusão em cascata
Segurança por linhaPermissão por item, pesada acima de 5.000 permissões únicasPapéis de segurança, unidades de negócio e compartilhamento por registro
AuditoriaHistórico de versões por itemPor campo: quem, quando, valor anterior e novo
VolumeAté 30 milhões de itens, com limite de exibição de 5.000Capacidade por tenant; tabelas de milhões de linhas
Delegação no Power AppsLimitada: pessoa, escolha, pesquisa e agregações ficam de foraAmpla, inclusive contagem e soma
Integração com Teams e CopilotNativa no Teams e no Microsoft 365Nativa no Teams; base dos agentes do Copilot Studio
ALM (dev, teste, produção)Manual: a lista fica no siteSoluções, pipelines e variáveis de ambiente
Quando escolherControle de uma equipe, uma entidade, poucos milhares de itensVárias tabelas relacionadas, mais de uma área, auditoria ou volume
Preços de lista em novembro de 2026, sem impostos. A Premium passa a US$ 22 em 01/01/2027.

Os limites que decidem na prática

Volume e exibição. Uma lista guarda até 30 milhões de itens, mas o SharePoint exibe no máximo 5.000 por consulta (20.000 para administradores e auditores) e avisa a partir de 3.000. Acima disso, qualquer filtro precisa usar colunas indexadas, e a galeria do app começa a esconder registros quando a fórmula não é delegável, como explicamos em delegação no Power Apps. O Dataverse trabalha com tabelas de milhões de linhas e delega contagem, soma e filtros em quase todos os tipos de coluna.

Segurança. Na lista, "cada pessoa vê só o que é dela" se faz com permissão por item, geralmente por um fluxo que quebra a herança a cada registro novo. Funciona para centenas de itens. O SharePoint suporta até 50.000 permissões únicas por lista, mas recomenda no máximo 5.000, e a lista fica lenta antes disso. No Dataverse, isso é configuração: papel de segurança com acesso no nível do usuário, da unidade de negócio ou da organização, mais compartilhamento por registro quando preciso.

Auditoria. A lista tem histórico de versões por item: dá para ver quem alterou e restaurar. O Dataverse registra, por campo, quem mudou, quando e de qual valor para qual, com retenção configurável. Em processo com compliance (segurança do trabalho, financeiro, qualidade), isso costuma ser decisivo.

Custo. A lista vem no Microsoft 365. O Dataverse exige Power Apps Premium para cada usuário do app, US$ 20 por usuário/mês em novembro de 2026 (R$ 114,50 na tabela em reais, sem impostos), ou o medidor de pay-as-you-go a US$ 10 por usuário ativo por app por mês. Cada licença Premium soma 250 MB de banco e 2 GB de arquivos à capacidade do tenant; a capacidade inicial varia conforme o primeiro produto adquirido, e o GB extra de banco custa US$ 40 por mês (R$ 229). A conta detalhada está em licenças do Power Apps explicadas.

A regra prática e os dois apps da metalúrgica

A regra que usamos em projeto: lista do SharePoint quando o processo é de uma equipe, tem uma entidade principal e poucos milhares de itens por ano. Dataverse quando há duas ou mais tabelas que se relacionam, mais de uma área consumindo o mesmo dado, necessidade de auditoria por campo ou de segurança por linha, ou volume que vai passar de dezenas de milhares de registros.

O app de EPI tem uma entidade (o pedido), um aprovador e 30 usuários, com cerca de 1.800 pedidos por ano. Lista, app de três telas, fluxo de aprovação. Custo de licença: zero além do Microsoft 365.

O app de manutenção tem ordens, ativos, peças e técnicos, com histórico que o setor de segurança do trabalho audita. Os 120 usuários precisam ver ordens de outras plantas, mas só editar as da própria. Dataverse, quatro tabelas, papéis de segurança por planta e auditoria ligada. Custo de licença: 120 vezes R$ 114,50, R$ 13.740 por mês na tabela de novembro de 2026, sem impostos. Com um só app premium, o medidor sairia pela metade; a metalúrgica já tinha o segundo app na fila, e a Premium ficou. As mesmas 120 pessoas passam a usar qualquer outro app premium sem custo extra.

Como migrar da lista para o Dataverse

A maioria dos apps que atendemos começou em lista, e isso é um bom sinal: o processo já existe e já tem dados. A migração tem cinco passos.

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    Modele as tabelas no papel

    Separe a lista em entidades: o que é pedido, o que é item do pedido, o que é fornecedor. Defina a chave de cada uma, quais colunas viram pesquisa (lookup) e quais escolhas viram conjuntos de opções globais. Coluna de pessoa vira pesquisa para a tabela de usuários.

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    Crie ambiente, solução e tabelas

    Em um ambiente de desenvolvimento, crie uma solução com o editor (publisher) da empresa e, dentro dela, as tabelas, as relações e os papéis de segurança. Nada de tabela solta no ambiente padrão.

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    Carregue os dados com um dataflow

    No Power Apps, crie um dataflow que lê a lista do SharePoint e grava nas tabelas novas, mapeando escolhas e pessoas. Rode em desenvolvimento, compare a contagem de linhas por tabela com a lista e só depois repita em produção.

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    Aponte o app e revise as fórmulas

    Adicione o Dataverse como fonte e troque a lista em cada tela. O ID numérico vira identificador único, colunas com espaço no nome ganham apóstrofo, escolhas passam a comparar com o conjunto de opções da tabela e as colunas de pessoa viram pesquisa. Aproveite para zerar os avisos de delegação.

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    Rode em paralelo e desligue a lista

    Durante uma ou duas semanas, todo registro novo entra pelo app novo e a lista fica só para leitura. Compare os números no fim, arquive a lista com a data no nome e avise onde ela está.

Faça

  • Escolher a base pelo processo daqui a dois anos: quantas tabelas, quantas áreas, que auditoria.
  • Começar na lista quando é uma equipe, uma entidade e poucas colunas. É o caminho mais rápido para produção.
  • Indexar as colunas de filtro da lista antes de passar de 3.000 itens.
  • Criar o Dataverse dentro de uma solução, com ambiente de desenvolvimento e de produção, desde o primeiro dia.
  • Fazer a conta de licença com todos que vão abrir o app, incluindo quem só consulta.

Evite

  • Simular banco relacional com cinco listas e colunas de pesquisa entre elas. É o pior dos dois mundos.
  • Dar permissão por item em lista com milhares de registros. Acima de 5.000 permissões únicas, o SharePoint degrada.
  • Guardar dados de várias áreas em uma lista só para fugir da licença Premium.
  • Criar app novo em Dataverse for Teams. A criação de ambientes novos termina em 15/11/2026.
  • Migrar os dados copiando e colando do Excel. Use dataflow, com conferência de contagem no fim.

O próximo passo prático é olhar o processo do próximo app e responder três perguntas: quantas tabelas, quantas áreas, que auditoria. Uma tabela, uma área e nenhuma auditoria: lista. Qualquer resposta acima disso: Dataverse, com a licença no orçamento desde o início. Se o app atual é uma lista que começou a sofrer, quando trocar a planilha por um app mostra onde esse caminho costuma começar, e a consultoria em Power Apps faz o desenho e a migração com a sua equipe.

Fontes

Preços, nomes de plano e limites mudam. Confira sempre a tabela oficial da Microsoft antes de decidir.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre este assunto

Dataverse é caro?
Depende do que ele substitui. Em novembro de 2026, cada usuário do app precisa de Power Apps Premium a US$ 20 por mês (R$ 114,50 na tabela brasileira, sem impostos) ou do medidor de pay-as-you-go a US$ 10 por usuário ativo por app. Para 30 pessoas, são R$ 3.435 por mês na Premium. Comparado a um sistema de mercado para o mesmo processo, costuma ser menor; comparado a uma lista do SharePoint, é um custo novo. A licença vale para todos os apps premium que a pessoa usar.
Dá para começar no SharePoint e migrar para o Dataverse depois?
Sim, e é o caminho mais comum. O que muda na migração: os dados passam por um dataflow, o ID numérico vira identificador único, colunas de escolha e de pessoa mudam a forma de comparação e toda fórmula que cita a fonte precisa de revisão. Um app de três telas migra em uma ou duas semanas; um app com vinte telas e fórmulas por toda parte leva bem mais. Quanto mais cedo a decisão, mais barata a migração.
O que acontece com o Dataverse for Teams?
Está sendo descontinuado. A criação de ambientes novos termina em 15/11/2026, os ambientes que não forem atualizados são suspensos em 15/09/2027 e desativados em 30/10/2027. Quem tem app nesse modelo precisa atualizar o ambiente para um Dataverse completo, com licença Premium ou pay-as-you-go para os usuários, ou voltar para lista do SharePoint quando o processo for simples.
Lista do SharePoint aguenta 100 mil itens?
Guarda, sim: o limite é de 30 milhões de itens por lista. O problema é usar. O SharePoint exibe no máximo 5.000 itens por consulta, exige colunas indexadas para filtrar acima disso, e o Power Apps só delega parte das funções, então o app passa a esconder registros. Com filtros delegáveis em colunas indexadas, um app de consulta simples funciona. Para totais, relatórios e várias áreas, é hora do Dataverse.

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