Uma empresa de energia com 3.000 funcionários recebeu três pedidos de agente na mesma semana. O comercial queria um assistente que redigisse propostas no padrão da casa. O RH queria um agente que respondesse sobre políticas e abrisse chamado quando a resposta não bastasse. O atendimento queria um agente no portal do cliente, com dados do ERP e um modelo ajustado ao vocabulário do setor. A pergunta da TI foi direta: dá para fazer os três no Copilot Studio?
Dava, e seria a escolha errada para dois deles. Este post explica as quatro formas de construir um agente para o Microsoft 365 Copilot (a documentação mais recente o chama de Microsoft Copilot), o que cada uma entrega e como decidimos nesse caso.
As quatro opções em um parágrafo cada
Agent Builder fica dentro do app do Copilot (microsoft365.com/chat, office.com/chat e Teams). Você descreve o agente em linguagem natural, ajusta as instruções, aponta sites do SharePoint e Copilot connectors (antes Graph connectors), testa e compartilha. Ele não cria ações que integrem sistemas externos; para isso, a própria tela oferece copiar o agente para o Copilot Studio. O resultado é um agente declarativo, usado dentro do Copilot (inclusive no app do Teams); ele não funciona em chats 1:1 ou em grupo do Teams.
Agente declarativo com o Microsoft 365 Agents Toolkit (antes Teams Toolkit) é o mesmo tipo de agente, descrito em um arquivo JSON chamado manifesto, versionado em Git e empacotado como app do Microsoft 365. O dev controla cada campo, adiciona plugins de API ou servidores MCP como ações e publica pelo processo de apps da organização. Em novembro de 2026 a Microsoft mantém em preview o Work IQ Dev Tools, uma linha de comando para esse mesmo ciclo de vida.
Copilot Studio é a ferramenta low-code: conhecimento, tópicos, orquestração generativa, ações com conectores da Power Platform, agent flows e publicação em vários canais (Teams e Copilot, SharePoint, site próprio, WhatsApp via Azure Communication Services, Facebook e, por meio do Azure Bot Service, Slack, Telegram e outros). Traz ambientes, soluções e pipelines da Power Platform para ALM. A cobrança é em Copilot Credits.
Microsoft 365 Agents SDK é um framework de código (C# com .NET 8, JavaScript com Node.js e Python 3.9 a 3.11, segundo a visão geral no Learn) para agentes conversacionais. Ele recebe a mensagem de qualquer canal, normaliza em um objeto Activity, chama o handler que você escreveu e devolve a resposta no formato do canal. Ele não traz modelo nem orquestrador: você escolhe (Azure AI Foundry, Agent Framework, LangChain ou uma chamada direta a uma API). Você hospeda, em geral no Azure App Service, e conecta aos canais pelo Azure Bot Service. No vocabulário do Microsoft 365, esse é um "custom engine agent".
| Agent Builder | Declarativo com Agents Toolkit | Copilot Studio | Agents SDK | |
|---|---|---|---|---|
| Quem constrói | Usuário de negócio, sem código | Dev, com JSON e Git | Maker ou dev, low-code | Dev, com código e pipeline |
| Onde roda | Orquestrador do Copilot | Orquestrador do Copilot | Serviço do Copilot Studio, sem servidor seu | Hospedagem própria, em geral Azure |
| Conhecimento | SharePoint, OneDrive, Copilot connectors e web | SharePoint, connectors, Dataverse, Teams, e-mail, web e Fabric | SharePoint, arquivos, sites, Dataverse, connectors, ServiceNow e outros | O que você programar: Graph, Retrieval API, bancos e APIs |
| Ações | Skills, sem integração externa | Plugins de API e servidores MCP no manifesto | Conectores, agent flows, MCP e prompts | Qualquer código |
| Canais | Copilot, inclusive no app do Teams; sem chat 1:1 ou em grupo | Copilot e apps do Microsoft 365 | Copilot, Teams, SharePoint, site, WhatsApp, Facebook e Bot Service | Copilot, Teams, web, Slack e outros via Azure Bot Service |
| Custo e licença | Incluído para quem tem licença Copilot. Sem licença: instruções e web sem custo; SharePoint e connectors por consumo | Igual ao Agent Builder | Copilot Credits em pacote ou pay-as-you-go; uso interno por quem tem licença Copilot sem cobrança | Sem licença do Copilot para quem usa; você paga App Service, Foundry e Bot Service |
| ALM e versionamento | Nenhum, cópia manual | Git, pacote de app e pipeline | Soluções, ambientes e pipelines da Power Platform | Git e CI/CD da sua escolha |
| Quando escolher | Assistente pessoal ou de área, sem integração | Declarativo com revisão de código e controle de versão | Atendimento com ação e vários canais, mantido pelo time de negócio | Modelo próprio, canal fora do Microsoft 365 ou controle total do loop |
Agente declarativo: o manifesto
Um agente declarativo é um arquivo de configuração. Nome (até 100 caracteres), descrição (até 1.000), instruções (até 8.000), uma lista de capacidades e até 12 sugestões de conversa. O Copilot lê isso e passa a se comportar como o agente descrito, usando o próprio modelo e o próprio orquestrador. Não há servidor, deploy nem custo de hospedagem. O manifesto abaixo é o do assistente de propostas do comercial, no esquema 1.9, o mais recente em novembro de 2026.
declarativeAgent.jsonjson
{
"$schema": "https://developer.microsoft.com/json-schemas/copilot/declarative-agent/v1.9/schema.json",
"version": "v1.9",
"name": "Assistente de propostas",
"description": "Ajuda o time comercial a redigir e revisar propostas no padrão da empresa.",
"instructions": "Você redige e revisa propostas comerciais. Use apenas os modelos e as tabelas de preço da biblioteca Propostas. Cite o documento de origem em cada trecho. Se o pedido não for sobre proposta, diga que está fora do seu escopo.",
"capabilities": [
{
"name": "OneDriveAndSharePoint",
"items_by_url": [
{ "url": "https://contoso.sharepoint.com/sites/Comercial/Propostas" }
]
},
{
"name": "WebSearch",
"sites": [{ "url": "https://www.contoso.com/produtos" }]
}
],
"conversation_starters": [
{ "title": "Nova proposta", "text": "Monte o esqueleto de uma proposta de manutenção preventiva por 12 meses." },
{ "title": "Revisar texto", "text": "Revise o texto que vou colar e aponte o que foge do padrão da empresa." }
]
}Três detalhes do esquema mudam o resultado. Em OneDriveAndSharePoint, se você omitir tanto items_by_url quanto items_by_sharepoint_ids, o agente pesquisa todo o SharePoint e OneDrive a que o usuário tem acesso; aponte sempre a biblioteca. Em WebSearch, a lista sites aceita até quatro URLs com no máximo dois segmentos de caminho; sem a lista, o agente busca na web inteira. E cada tipo de capacidade só pode aparecer uma vez no array. O esquema 1.9 acrescentou agent_skills (pastas com um arquivo SKILL.md) e a capacidade Fabric.
Copilot Studio: quando a lógica e os canais pesam
O agente de políticas do RH precisava de duas coisas que um declarativo não entrega: uma ação de "abrir chamado" no sistema de tickets quando a resposta não resolve, e um relatório de quais perguntas ficam sem resposta. No Copilot Studio isso é um tópico com um conector (ou um agent flow) e o painel de análise. O conhecimento ficou em duas bibliotecas do SharePoint, com a permissão de quem pergunta respeitada porque o agente autentica com o Microsoft Entra. Em conhecimento do agente no Copilot Studio está o detalhe de cada fonte.
O custo é em Copilot Credits. Em novembro de 2026, o pacote de 25.000 créditos custa US$ 200 por mês (R$ 1.145,10 na tabela brasileira, sem impostos) e o pay-as-you-go sai a US$ 0,01 por crédito na assinatura do Azure. Uma resposta generativa consome 2 créditos, uma ação de agente 5 e o tenant graph grounding 10. Para quem tem licença do Microsoft 365 Copilot e usa o agente no Teams, no Copilot ou no SharePoint, autenticado com a própria conta, a documentação marca essas taxas como sem cobrança; ficam de fora Computer-Using Agents, agentes autônomos e agent flows com outros gatilhos. A conta completa está em Copilot Studio: o que é, como é cobrado e quando faz sentido.
Um caminho frequente é começar no Agent Builder e, quando aparece a primeira ação, copiar o agente para o Copilot Studio. A cópia preserva instruções e fontes; a partir dali o agente passa a viver em um ambiente da Power Platform, com solução, pipeline e as políticas de dados do tenant.
Agents SDK: quando você precisa do loop
O agente do portal do cliente tinha três exigências que apontam para código: um canal fora do Microsoft 365 (o portal), um modelo ajustado ao vocabulário do setor e consultas ao ERP com regras de negócio que ninguém queria manter em tópicos. O Agents SDK cuida da camada de mensagens, estado e canais; o que o agente diz é problema do orquestrador que você conectar. O esqueleto abaixo é o do quickstart oficial em JavaScript, com os nomes do nosso caso. Em TypeScript e C# a forma é a mesma: uma classe que estende AgentApplication e registra handlers por tipo de atividade.
index.mjsjavascript
// index.mjs
import { startServer } from "@microsoft/agents-hosting-express";
import { AgentApplication, MemoryStorage } from "@microsoft/agents-hosting";
class AgenteAtendimento extends AgentApplication {
constructor(storage) {
super({ storage });
this.onConversationUpdate("membersAdded", this.boasVindas);
this.onActivity("message", this.responder);
}
boasVindas = async (context) =>
context.sendActivity("Olá. Pergunte sobre pedidos, prazos e faturas.");
responder = async (context, state) => {
const pergunta = context.activity.text;
// Troque a linha abaixo pela chamada ao seu orquestrador
// (Azure AI Foundry, Agent Framework, LangChain ou uma API própria).
const resposta = "Você perguntou: " + pergunta;
await context.sendActivity(resposta);
};
}
// Sobe um servidor Express em http://localhost:3978/api/messages
startServer(new AgenteAtendimento(new MemoryStorage()));Para rodar: npm install @microsoft/agents-hosting-express, depois node index.mjs. O Microsoft 365 Agents Playground (pacote @microsoft/teams-app-test-tool) abre um chat local apontando para a porta 3978, sem registrar nada no Azure. Em produção, o mesmo código vai para o App Service, ganha um registro no Azure Bot Service e, a partir dele, aparece no Teams, no Copilot, no portal e no que mais for preciso.
Quem usa um agente desses no Copilot Chat não precisa de licença do Copilot; se o agente ler SharePoint ou Copilot connectors para usuários sem licença, a documentação prevê cobrança por consumo em Copilot Credits. O custo principal muda de lugar: App Service, Azure Bot Service, o modelo no Azure AI Foundry (a documentação mais recente o chama de Microsoft Foundry) e o tempo do time que mantém a aplicação. Para dados do Microsoft 365, o agente usa as APIs do Graph e a Retrieval API, com as permissões do usuário autenticado. Se a sua orquestração já existe no Foundry, há um caminho mais curto: publicar o agente do Foundry direto no Copilot e no Teams pelo portal, que provisiona o Bot Service e o registro no Entra.
Como decidir
A ordem das perguntas importa. Primeiro, quem mantém: se a resposta for "a área", pare no Agent Builder ou no Copilot Studio. Depois, onde estão os dados: SharePoint e Dataverse favorecem declarativo e Copilot Studio; ERP e bancos próprios, Copilot Studio com conector ou SDK. Em seguida, os canais: tudo dentro do Microsoft 365 dispensa código; portal, app próprio ou WhatsApp com regras complexas pedem Copilot Studio ou SDK. Por fim, o modelo: se precisa ser um modelo específico, com ajuste fino ou avaliação própria, é Foundry com SDK ou Foundry publicado no Copilot.
Faça
- Começar pelo declarativo quando o pedido é "um assistente que conhece a nossa pasta". É o mais barato de construir e de manter.
- Escopar o conhecimento no manifesto (items_by_url e sites). Agente sem escopo responde a partir de qualquer biblioteca que o usuário consiga abrir.
- Manter o conjunto de perguntas de teste fora da ferramenta. Ele é o que sobrevive quando o agente muda de plataforma.
- Versionar o manifesto e as instruções em Git, mesmo no Copilot Studio (exporte a solução).
- Medir custo por conversa antes de abrir para a empresa inteira: créditos no Copilot Studio, Azure no SDK.
Evite
- Escrever código para um agente que só precisa ler o SharePoint e responder.
- Montar regras de negócio do ERP em tópicos do Copilot Studio. Quando passam de dez, viram código mal versionado.
- Publicar para clientes um agente declarativo: ele só existe dentro do Copilot.
- Escolher o SDK por "controle total" sem ter quem opere a aplicação depois do projeto.
- Dar ao agente acesso a todo o SharePoint para "ver o que acontece". A permissão do usuário protege, mas a resposta vem de qualquer lugar.
Na empresa de energia, o desenho ficou assim: o assistente de propostas virou um agente declarativo criado pelo próprio comercial no Agent Builder, com o manifesto exportado e guardado pela TI. O agente de políticas do RH foi feito no Copilot Studio, com duas bibliotecas como fonte, uma ação de abrir chamado e publicação no Teams. O agente do portal do cliente foi escrito com o Agents SDK em C#, modelo no Foundry e deploy no App Service, publicado no portal e também no Teams para o time de atendimento. Três agentes, três ferramentas, um mesmo conjunto de regras de governança.
O próximo passo prático é listar os agentes que a empresa quer nos próximos seis meses e responder, para cada um, as quatro perguntas acima. Em Copilot connectors e grounding está como levar dados de fora do Microsoft 365 para os agentes declarativos e do Copilot Studio. Se quiser ajuda para desenhar essa arquitetura, a consultoria em Copilot Studio começa exatamente por esse mapa.
Fontes
- Microsoft Learn: agentes declarativos para o Microsoft 365 Copilot
- Microsoft Learn: esquema 1.9 do manifesto de agente declarativo
- Microsoft Learn: Agent Builder
- Microsoft Learn: Microsoft 365 Agents Toolkit
- Microsoft Learn: escolha de ferramentas para agentes e plugins
- Microsoft Learn: custom engine agents e tabela comparativa de abordagens
- Microsoft Learn: o que é o Microsoft 365 Agents SDK
- Microsoft Learn: quickstart do Agents SDK (Python, JavaScript e .NET)
- Microsoft Learn: licenças e custos da extensibilidade do Copilot
- Microsoft Learn: licenciamento do Copilot Studio
- Microsoft Learn: taxas em Copilot Credits
- Microsoft: preços do Copilot Studio
Preços, nomes de plano e limites mudam. Confira sempre a tabela oficial da Microsoft antes de decidir.
Perguntas frequentes
O que mais perguntam sobre este assunto
- Agente declarativo precisa de licença do Copilot?
- Quem usa precisa da licença do Microsoft 365 Copilot ou de acesso ao Copilot Chat por um plano Microsoft 365 elegível. No Copilot Chat, agentes feitos só com instruções e sites públicos não geram custo extra. Se o agente lê SharePoint ou Copilot connectors, usuários sem licença só conseguem usá-lo quando o tenant tem cobrança por consumo ligada, medida em Copilot Credits pelo Copilot Studio.
- Dá para migrar de Copilot Studio para Agents SDK?
- A migração é manual: você leva o desenho (instruções, fontes, ações e o conjunto de perguntas de teste) e escreve o código do zero. Antes de reescrever, avalie manter o agente do Copilot Studio e chamar um agente do SDK a partir dele para a parte que exige código, ou publicar um agente do Azure AI Foundry no Copilot. Em muitos casos isso resolve a necessidade de modelo próprio sem abandonar o que já funciona.
- Qual exige menos manutenção?
- Agent Builder e o agente declarativo com manifesto: a Microsoft hospeda e atualiza o modelo e o orquestrador, e você cuida de instruções e fontes. O Copilot Studio vem em seguida, sem servidor, mas com tópicos, conectores e consumo de créditos para acompanhar. O Agents SDK exige o que qualquer aplicação exige: deploy, monitoramento, segurança, atualização de pacotes e a conta do Azure.
- Onde entra o Azure AI Foundry?
- Quando o agente precisa de um modelo específico, ajuste fino, avaliação de qualidade ou de uma orquestração que já existe fora do Microsoft 365. Um agente do Foundry pode ser publicado no Copilot e no Teams pelo próprio portal ou por um app proxy criado com o Agents Toolkit, e um agente do Agents SDK pode usar o Foundry como motor. Na documentação de 2026 o produto aparece como Microsoft Foundry.

